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Num oásis escondido numa das mais longínquas paisagens do deserto, encontrava-se o velho Eliahu, de joelhos, perto de algumas palmeiras de tâmaras.

O seu vizinho Hakim, o endinheirado mercador, deteve-se no oásis para descansar os camelos e viu Eliahu a transpirar, enquanto cavava a areia.

Intrigado, cumprimentou o velho e lhe perguntou o que fazia.

Eliahu, sem abandonar a sua tarefa, respondeu que semeava tâmaras.

- Tâmaras! – repetiu o recém-chegado. E fechou os olhos como quem escuta a maior estupidez do mundo.

- Diz-me, amigo. Quantos anos tens?

- Não sei… Esqueci-me. Mas que importância tem isso?

- Amigo, as tamareiras demoram mais de cinquenta anos para crescer e só quando se transformam em palmeiras adultas estão em condições de dar frutos. Não te desejo mal, oxalá vivas até cento e um anos, mas tu sabes que dificilmente poderás colher o que semeias hoje.

- Olha, Hakim. Comi as tâmaras que outra pessoa semeou sem se preocupar se iria ou não comê-las. Eu semeio, hoje, para que outros possam comer, amanhã, as tâmaras que estou plantando…

- Deste-me uma grande lição! Deixa-me pagar-te por ela.

E, dizendo isto, o mercador Hakim pôs na mão do velho um saco de moedas.

- Agradeço-te as moedas, amigo. Como vês, o teu prognóstico é que eu não chegarei a colher o que semeei. Parece verdade e, no entanto, ainda não acabei de semear, e já colhi a gratidão de um amigo.

Fonte: Como se reforma um planeta

ALLAHUR Akbar! Allahur Akbar!
(Deus é grande! Deus é grande!)

Quando Deus criou a mulher criou também a Fantasia. Um dia a Verdade resolveu visitar um grande palácio. E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harun Al-Raschid.
Envoltas as lindas formas num véu claro e transparente, foi ela bater à porta do rico palácio em que vivia o glorioso senhor das terras muçulmanas. Ao ver aquela formosa mulher, quase nua, o chefe dos guardas perguntou-lhe:
— Quem és?
— Sou a Verdade! — respondeu ela, com voz firme. — Quero falar ao vosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid, o Cheique do Islã!
O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, apressou-se em levar a nova ao grão-vizir:
— Senhor, — disse, inclinando-se humilde, — uma mulher desconhecida, quase nua, quer falar ao nosso soberano, o sultão Harun Al-Raschid, Príncipe dos Crentes.
— Como se chama?
— Chama-se a Verdade!
— A Verdade — exclamou o grão-vizir, subitamente assaltado de grande espanto. — A Verdade quer penetrar neste palácio! Não! Nunca! Que seria de mim, que seria de todos nós, se a Verdade aqui entrasse? A perdição, a desgraça nossa! Dize-lhe que uma mulher nua, despudorada, não entra aqui!
Voltou o chefe dos guardas com o recado do grão-vizir e disse à Verdade:
— Não podes entrar, minha filha. A tua nudez iria ofender o nosso Califa. Com esses ares impudicos não poderás ir à presença do Príncipe dos Crentes, o nosso glorioso sultão Harun Al-Raschid. Volta, pois, pelos caminhos de Allah!
Vendo que não conseguiria realizar o seu intento, ficou muito triste a Verdade, e afastou-se lentamente do grande palácio do magnânimo sultão Harun Al-Raschid, cujas portas se lhe fecharam à diáfana formosura!

Mas…

Allahur Akbar! Allahur Akbar!
Quando Deus criou a mulher, criou também a Obstinação. E a Verdade continuou a alimentar o propósito de visitar um grande palácio. E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harun Al-Raschid…
Cobriu as peregrinas formas de um couro grosseiro como os que usam os pastores e foi novamente bater à porta do suntuoso palácio em que vivia o glorioso senhor das terras muçulmanas.
Ao ver aquela formosa mulher grosseiramente vestida com peles, o chefe dos guardas perguntou-lhe:
— Quem és?
— Sou a Acusação! — respondeu ela, em tom severo. — Quero falar ao vosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid. Comendador dos Crentes.
O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, correu a entender-se com o grão-vizir.
— Senhor — disse, inclinando-se humilde, — uma mulher desconhecida, o corpo envolto em grosseiras peles, deseja falar ao nosso soberano, o sultão Harun Al-Raschid.
— Como se chama?
— A Acusação!
— A Acusação? — repetiu o grão-vizir. aterrorizado. — A Acusação quer entrar neste palácio? Não! Nunca! Que seria de mim, que seria de todos nós, se a Acusação aqui entrasse! A perdição, a desgraça nossa! Dize-lhe que não, não pode entrar! Dize-lhe que uma mulher, sob as vestes grosseiras de um zagal, não pode falar ao Califa, nosso amo e senhor!
Voltou o chefe dos guardas com a proibição do grão-vizir e disse à Verdade.
— Não podes entrar, minha filha. Com essas vestes grosseiras, próprias de um beduíno rude e pobre, não poderás falar ao nosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid. Volta, pois, em paz, pelos caminhos de Allah!
Vendo que não conseguiria realizar o seu intento, ficou ainda mais triste a Verdade e afastou-se vagarosamente do grande palácio do poderoso Harun Al-Raschid, cuja cúpula cintilava aos últimos clarões do sol poente.

Mas…

Allahur Akbar! Allahur Akbar!
Quando Deus criou a mulher, criou também o Capricho.
E a Verdade entrou-se do vivo desejo de visitar um grande palácio. E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harun Al-Raschid.
Vestiu-se com riquíssimos trajos, cobriu-se com jóias e adornos, envolveu o rosto em um manto diáfano de seda e foi bater à porta do palácio em que vivia o glorioso senhor dos Árabes.
Ao ver aquela encantadora mulher, linda como a quarta lua do mês de Ramadã, o chefe dos guardas perguntou-lhe:
— Quem és?
— Sou a Fábula — respondeu ela, em tom meigo e mavioso. — Quero falar ao vosso amo e senhor, o generoso sultão Harun Al-Raschid, Emir dos Árabes!
O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, correu, radiante, a falar com o grão-vizir:
— Senhor, — disse, inclinando-se, humilde — uma linda e encantadora mulher, vestida como uma princesa, solicita audiência de nosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid, Emir dos Crentes.
— Como se chama?
— Chama-se a Fábula!
— A Fábula! — exclamou o grão-vizir, cheio de alegria. — A Fábula quer entrar neste palácio! Allah seja louvado! Que entre! Bem-vinda seja a encantadora Fábula:
Cem formosas escravas irão recebê-la com flores e perfumes. Quero que a Fábula tenha, neste palácio, o acolhimento digno de uma verdadeira rainha!
E abertas de par em par as portas do grande palácio de Bagdá, a formosa peregrina entrou.
E foi assim, sob o aspecto de Fábula, que a Verdade conseguiu aparecer ao poderoso califa de Bagdá, o sultão Harun Al-Raschid, Vigário de Allah e senhor do grande império muçulmano!

Lenda oriental contada por Malba Tahan em “Minha Vida Querida”

Com frequência ouvimos o ditado: “Siga o seu coração”. Mas, tendo praticado e examinado todas as coisas que surgiram em meu coração, vi que enquanto algumas coisas eram boas e bonitas, muitas não eram tão nobres.

O coração não é sempre guiado por amor, bondade e compaixão;
também é guiado por desejo, cobiça e raiva.
Precisamos treinar o coração, não apenas segui-lo.

Joseph Goldstein, em “A Heart Full of Peace”. Fonte: Samsara

Timão: Ouro amarelo, fulgurante, ouro precioso! (…) Basta uma porção dele para fazer do preto, branco; do feio, belo; do errado, certo; do baixo, nobre; do velho, jovem; do cobarde, valente. Ó deuses!, por que isso? O que é isso, ó deuses? (…) [O ouro] arrasta os sacerdotes e os servos para longe do seu altar, arranca o travesseiro onde repousa a cabeça dos íntegros. Esse escravo dourado ata e desata vínculos sagrados; abençoa o amaldiçoado; torna adorável a lepra repugnante; nomeia ladrões e confere-lhes títulos, genuflexões e a aprovação na bancada dos senadores. É isso que faz a viúva anciã casar-se de novo (…). Venha, mineral execrável, prostituta vil da humanidade (…) eu o farei executar o que é próprio da sua natureza.

William Shakespeare, em “Timão de Atenas”. Fonte: Citador

O homem, em sua insensatez, confia demais em seu intelecto.
Pelo fato de não poder compreender Deus, chega até a negar Sua existência. Não se dá conta de quão instável é o intelecto. Aquilo que hoje vê como verdade, parece-lhe falso amanhã.

Swami Brahmananda

 

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Veja Wikipédia

Que este ano seja o ano das suas realizações,

tanto materiais como espirituais.

Feliz 2009

Meu pai tinha uma concepção clara, simples e perfeitamente definida
da meta da vida humana. Dizia-me com freqüência, em minha mocidade, que a aspiração fundamental de todo homem deveria ser conquistar sua liberdade interior e preparar-se, assim, para uma velhice feliz.
Segundo ele, tal meta tinha caráter tão imperioso e tão indispensável, que cada um deveria compreendê-la, sem procurar sarna para se coçar. Mas, para atingi-la, era necessário que, desde a infância e até à idade de dezoito anos, o homem adquirisse dados que lhe permitissem obedecer sem desfalecimento aos quatro seguintes mandamentos:

Primeiro: Amar seus pais.
Segundo: Guardar sua pureza sexual.
Terceiro: Demonstrar igual cortesia para com todos, ricos ou pobres,
amigos ou inimigos, detentores de poder ou escravos, qualquer que
seja a religião a que pertençam; mas permanecer livre interiormente e
nunca confiar demasiado em nada nem em ninguém.
Quarto: Amar o trabalho pelo trabalho e não pelo ganho

George Gurdjieff

Um verdadeiro guru, de acordo com o significado completo da palavra, é coisa tão rara quanto um cavalo com penas, porque o verdadeiro guru tem de estar mais ou menos sem pecados, tem de estar mais ou menos sem sentimentos de eu, e não deve possuir desejo algum de fama. O pobre coitado, na verdade, tem de existir quase sem ser. É permitido, naturalmente, que o guru tenha o bastante com que viver, e o bastante para se vestir com decência.

Lobsang Rampa

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