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Om Gam Ganapataye Namaha

Este mantra é um dos mais conhecidos no hinduismo e fácil de pronunciar. É uma invocação a Ganapati (outro nome de Ganesha) e serve para remover os obstáculos, tanto materiais como espirituais. Este mantra atua muito rápido, vale a pena experimentar. Aqui vai um texto copiado de um livro para você ver um exemplo deste mantra em ação:

O experimento

Ao longo dos anos, aprendi muitos mantras para resolver os problemas que a vida criou para mim. Para que você tenha uma idéia de como isso pode funcionar, vou contar como a prática de um mantra me ajudou num período particularmente difícil.
Em 1980, ocorreram muitas mudanças na minha vida. Durante oito anos, eu havia sido ministro-residente de um centro espiritual filiado a uma organização espiritual da Índia, mas sediada em Washington, D.C.
Eu gostava de ser útil e minhas responsabilidades em geral eram agradáveis. Entretanto, a forma como o líder indiano estava conduzindo a organização passou a me incomodar cada vez mais, por apresentar um comportamento inadequado em questões referentes a sexo, dinheiro e poder. Eu vacilava entre permanecer ou abandonar a organização e essa preocupação me deixava nervoso.
Um dia, numa de minhas habituais sessões de duas horas de meditação, eu vi um relógio que marcava um quarto para as doze horas. Aquela visão mostrava-me que às doze horas, a relação pela qual eu vinha esperando desde muito tempo atrás chegaria. Resolvi esperar um pouco mais antes de tomar a decisão de deixar o centro. Na realidade, aqueles quinze minutos acabaram sendo mais de seis meses. Depois de seis meses, uma mulher chamada Margalo chegou à organização. Em duas semanas, deixei o centro para ir morar com ela. Um ano depois, já casados, decidimos juntos abandonar totalmente a organização.

Quando me envolvi com a organização, eu trabalhava como produtor de televisão. Logo depois de entrar para ela, passei a lecionar radiofusão, por tempo integral, na George Washington University. Em 1980, entretanto, vencido o prazo do meu contrato temporário e, recém-casado, eu refletia sobre minhas opções profissionais. Margalo sugeriu que deixássemos Washington, D.C., e fôssemos morar em sua antiga casa no sul da Califórnia. Eu não vi nenhum motivo para recusar. Uma vez lá, eu sabia que teria de iniciar uma nova carreira. Mas, apesar de todos os meus esforços para encontrar um trabalho em Los Angeles, a capital da mídia do mundo ocidental, as portas da televisão mantiveram-se fechadas e eu fui obrigado a aceitar trabalhos esporádicos. Eu lutava para encontrar algum tipo de equilíbrio entre minha procura desestimulante de uma nova profissão e minha nova vida feliz com minha mulher.

Durante meus anos de sacerdócio, eu havia usado mantrans quase exclusivamente durante as sessões de meditação para aumentar a concentração e estimular a introvisão espiritual. Para qualquer problema secular, eu recorria às orações que havia aprendido em minha formação judaico-cristã nas igrejas Presbiteriana e Metodista. A prática de mantras não requer o abandono da organização religiosa a quel pertencemos, nem das nossas raízes ou de outras práticas espirituais. Embora continue me considerando cristão, eu já estudei muitas tradições religiosas e, com o passar dos anos, fui acrescentando novas práticas religiosas de origens hinduísta e budista a meus hábitos diários, para compor uma espiritualidade pessoal voltada para a compaixão e o serviço. O mantra é uma prática espiritual complementar incrivelmente eficaz, que pode enriquecer a sua vida.

No meu caso, os resultados obtidos por meio de orações eram esporádicos, mas eu os havia aceito. Naquele período profissionalmente difícil de minha vida, entretanto, decidi aplicar um mantra à minha situação para ver se me ajudava. Escolhi um mantra que me pareceu apropriado para as minhas dificuldades no plano material e decidi dedicar-me a ele por quarenta dias. Escolhi uma prática de quarenta dias porque quarenta é um número recorrente na literatura religiosa. Jesus andou no deserto por quarenta dias. Noé flutuou sobre as águas por quarenta dias. Moisés errou pelo deserto por quarenta anos. Com Buda foi um pouco diferente, pois permaneceu sentado sob a Árvore Bodhi por 43 dias até alcançar a iluminação. No hinduísmo védico, quarenta dias é o período estipulado para a prática concentrada de um mantra. No catolicismo romano, a novena, uma disciplina diária de oração utilizada pelos fiéis em busca de solução para seus problemas, é, às vezes, praticada durante cinco, quarenta e 54 dias, embora tradicionalmente seja uma prática de nove dias.

Eu achei que precisava de uma quantidade considerável de tempo para que a prática do meu mantra atuasse sobre quaisquer que fossem as forças que estavam me impedindo de encontrar trabalho. A intenção que criei na minha mente era de encontrar um emprego estável no qual eu pudesse dar uma contribuição aos outros e me rendesse um salário para viver. Como muitos mantras para a solução de problemas são genéricos por natureza, o mantra que escolhi foi para a remoção de obstáculos:

Om Gam Ganapataye Namaha

“Om e saudações àquele que remove obstáculos do qual Gam é o som seminal.”

Entre as seitas védicas e hinduístas, este mantra é universalmente reconhecido como extremamente eficaz para a remoção de todos os tipos de obstáculo. Como eu não sabia o que estava me impedindo de encontrar um emprego fixo e remunerado, meu objetivo era remover qualquer obstáculo, interno ou externo, espiritual ou físico, que estivesse no meu caminho.

Nos quarenta dias seguintes, repeti o mantra o máximo de vezes possível, algumas vezes em silêncio, outras em voz alta. Enquanto realizava tarefas domésticas, eu repetia o mantra. Dirigindo, eu ia entoando o mantra no carro. Enquanto comia ou preparava a comida, eu o repetia. Enquanto adormecia, continuava repetindo o mantra pelo máximo de tempo possível. Ao despertar, começava imediatamente a recitá-lo. Se estava com outras pessoas, recitava-o em silêncio. Se estava sozinho, entoava-o em voz moderadamente alta. Tornei-me uma máquina de entoar o mantra Om Gam Ganapataye Namaha.

Eu gostava da sensação que o mantra me proporcionava. Seu ritmo instalou-se rapidamente em minha consciência e, depois de duas semanas, constatei que o mantra se iniciava sozinho quando eu estava ocupado com alguma outra coisa. Quando acordava no meio da noite, podia ouvi-lo ressoando fracamente em algum compartimento nas profundezas da minha mente. Ele se integrara ao meu corpo e à minha mente como um alimento espiritual.

Depois de três semanas trabalhando com o mantra, fui convidado para realizar uma cerimônia védica para um grupo em Santa Ana. A cerimônia durou cerca de uma hora e, quando acabou, circulei entre os convidados para conversar e comer petiscos. Com um pequeno grupo, a conversa acabou indo parar na pergunta “E o que você faz para viver?” Expliquei, um pouco constrangido, que tinha vindo recentemente para a Costa Oeste e que ainda não havia me fixado em nada.

O bate-papo continuou e depois de um tempo uma mulher do grupo disse que sua empresa estava procurando alguém para trabalhar num projeto de marketing pelos próximos três meses. Perguntei o que a empresa fazia e ela respondeu que um serviço de assistência médica que se ocupava de medicina familiar, medicina ocupacional e atendimento de emergência. Eu não tinha nada a ver com a área de saúde e disse isso a ela.

Sem se importar com isso, a mulher insistiu para que eu lhe telefonasse para marcar uma hora na semana seguinte. Concordei, mais por educação e com a consciência de que devia explorar as possibilidades – mas sem nenhuma esperança real de que aquilo resultaria num emprego para mim.

Quando cheguei à empresa, fui recebido pelo chefe da mulher que eu havia conhecido, Rick, que me entrevistou por cerca de dez minutos. Eu achei que estava descartado, uma vez que mostrara não entender nada daquele ramo, mas para grande surpresa minha, ele finalizou sua breve entrevista com: “Eu acho que você vai se dar bem. Mas preciso que os médicos aprovem. Por favor, espere aqui.”

Os médicos me aprovaram e, dentro de alguns minutos, eu já havia preenchido alguns formulários e me tornado um representante de marketing da clínica deles, para realizar trabalho de campo com base num contrato provisório de três meses. O salário era modesto, mas era melhor do que trabalhar esporadicamente ou aguardar o telefone tocar, de maneira que fiquei agradecido. Durante todo o tempo, eu continuei recitando o mantra em silêncio.

Depois de vários dias dando telefonemas de negócios, eu aprendi o suficiente para perceber que o material de marketing de que dispunha para sustentar meus telefonemas era péssimo. Eu não conseguia tirar isso da cabeça e comecei a me sentir cada vez mais estúpido toda vez que fazia uma chamada. Finalmente, percebi que eu tinha de fazer algo.

Nessa altura, eu estava no trigésimo dia de prática do meu mantra. Nessa noite, refiz todo o material, resumindo-o em três desenhos e usando as cores do prédio e o familiar caduceu, símbolo da medicina. Quando cheguei ao escritório na manhã seguinte, procurei o médico a quem relatei e expus rapidamente o que tinha em mente. Ele parou de repente, fitou-me e disse para encontrá-lo na sala de reunião dentro de uma hora. Quando entrei na sala de reunião, lá estava Rick, junto com a mulher que havia sugerido que me candidatasse ao emprego, o médico que havia me entrevistado e dois outros médicos que eram sócios da empresa. Inseguro, percebi que teria de fazer uma apresentação. O médico que havia convocado a reunião disse, “Mostre-nos o que você fez”.

Depois de dez minutos de apresentação improvisada, os médicos me pediram para deixar a sala por alguns minutos. Nervoso, aquiesci. Quando fui chamado de volta, meu chefe disse, “Parabéns, você é nosso novo diretor de marketing. Mande imprimir alguns cartões e também esse material que você desenhou o mais rapidamente possível”. Eu estava em estado de choque, mas continuava interiormente repetindo o mantra Om Gam Ganapataye Namaha.

Concluí meus quarenta dias de prática do mantra sem nenhum outro incidente. Dentro de trinta dias, eu estava envolvido num projeto de marketing com a participação de um hospital local. A enfermeira que era diretora de marketing do hospital era amistosa e tecnicamente muito competente. Trabalhamos bem juntos. Quando estava quase no final do projeto, ela me perguntou se eu não me importaria em dizer quanto eles me pagavam. Não me importei e disse a verdade. Ela franziu o cenho e disse, “Eles estão lhe pagando uma bagatela”.

Quando o projeto em conjunto foi concluído, meu chefe nos parabenizou a ambos pelo ótimo trabalho. Depois de apertar a mão dele, a enfermeira apontou na minha direção e disse, “Você sabe que esse cara é muitíssimo mal pago. É melhor você tomar alguma providência antes que alguém lhe faça uma proposta e ele vá embora”. Fiquei espantado, mas meu chefe respondeu como o bom profissional que era. Deu uma risadinha e disse: “Não se preocupe, cuidaremos bem dele”. Em trinta dias, tive um aumento de 40%.

Isso foi no início de 1983. Trabalhei nessa empresa durante quase sete anos. Tive inúmeros aumentos e sentia que meu trabalho era valorizado. Finalmente, eu saí quando meu supervisor decidiu abrir seu próprio negócio e fez-me uma proposta para ir com ele.

Eu atribuí o meu êxito na procura de emprego ao mantra que pratiquei. Sua eficácia causou uma profunda impressão em mim e comecei a dar um novo valor ao poder das fórmulas espirituais para a solução de problemas cotidianos. Comecei a recomendar o uso de mantras a outras pessoas com problemas e funcionou surpreendentemente bem.

Indiquei esse mesmo mantra a um amigo meu de Washington, que havia acabado de deixar sua carreira no exército. Ele havia estudado gemologia e estava a fim de encontrar um trabalho nessa área. Entretanto, depois de meses de procura em muitas cidades, ele não conseguira encontrar o emprego que queria. Recomendei a ele que começasse a repetir o mantra Om Gam Ganapataye Namaha o máximo de vezes possível durante dez dias. No décimo primeiro dia, realizei uma cerimônia de limpeza energética para ele. Dentro de três dias, ele recebeu várias propostas de emprego e começou bem sua nova carreira.

Thomas Ashley Farrand em “Mantras que Curam”

Veja Ganesha Ganapati

Aqui pode ver 200 imagens de Ganesha

    Om Gam Ganapataye Namaha

Om Gam Ganapataye Namaha

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Sri Ganesha é uma forma de Brahman Supremo; Ele realiza muitos passatempos ou Lilas, por isso O vemos de tantos modos e maneiras, aparecendo segurando diferentes parafernálias. Isso acontece com qualquer outra forma externa de Brahman, nas representações de Deus, e em alguma de Suas formas pessoais. Brahman, ou Supremo, ou Ishwara, também Krishna, ou Shiva, São distintas formas de Uno.
Desta forma, a figura de Ganesha (Gana – som (alusão à tromba) + Isha—Senhor), também, possui um largo aspecto arquetípico, os quais expressam um estado de perfeição, bem como os meios de obtê-la. O símbolo mais importante de Sri Ganesha diz respeito ao fato de que Ele deve ser descoberto como a Divindade no interior de si mesmo.

Ganesha é o primeiro som, OM, no qual todos os hinos sagrados iniciam. Quando Shakti, a energia, matéria ou poder feminino, e Shiva, o Ser, ou consciência, unem-Se, tanto som – Gana, e Luz, Skanda, nascem. Ganesha representa o equilíbrio perfeito entre a força e a bondade; poder e beleza. Ele, também, tem a a capacidade de discernimento, a qual provê a habilidade para distinguir entre a Verdade e a ilusão; o que é real e o irreal.

Uma descrição de todas as características e atributos de Sri Ganesha é dada no Ganapati Upanishad, feito pelo Rishi Atharva, no qual Ganesha é declarado como idêntico ao Brahman ou Atma. Este Upanishad contém um dos mais famosos Mantras de Sri Ganesha: Om Gam Ganapataye Namah, que literalmente tem o significado de: Eu me rendo a Vós, ó Senhor dos mestres.

De acordo com as regras estritas de iconografia Hindu, Ganesha em figuras com apenas duas mãos é considerado tabu. Portanto, Ganesha aparece no mais das vezes com quatro braços, os quais simbolizam a Sua divindade. Algumas imagens podem contem seis, outras oito, dez, doze ou quatorze braços; cada mão carrega uma simbologia, a qual difere dos símbolos das outras. Contudo, há cerca de cinqüenta e sete símbolos no todo, de acordo com alguns especialistas.

A imagem de Ganesha é composta dos seguintes símbolos: quatro animais, homem, elefante, a serpente, e o rato, que dão a noção de conjunto para Sua figura. Todo o séqüito possui um profundo significado simbólico no conjunto.

O Senhor da boa-fortuna
Em termos gerais, Shri Ganesha é a deidade mais frequentemente amada e invocada, uma vez que Ele é o Senhor da boa fortuna, e também o destruidor dos obstáculos, tanto da vida material como espiritual. É por esta razão que Sua graça é evocada ante de iniciar quaisquer que sejam as tarefas (por exemplo, trabalho rotineiro, viagens, prestar exames, conduzir os negócios, uma entrevista, realizar uma cerimônia, etc.). O Mantra, Aum Sri Ganeshaya Namah (saudação ao nome de Sri Ganesha), ou similar, é o que se usa nestas ocasiões. É por essa tradição que todas as seções de Bhajans, cânticos devocionais, iniciam com uma evocação de Ganesha. O Senhor benevolente de todos os princípios. Através da Índia, e da cultura do Sanatana Dharma, o Senhor Ganesha é o primeiro símbolo colocado em qualquer nova casa ou morada.

Além do mais, Sri Ganesha está associado com o primeiro Chakra, o qual representa o instinto de conservação e sobrevivência; da procriação e do bem-estar material.

Atributos corporais
Cada elemento do corpo de Sri Ganesha possui seu próprio valor, e seu próprio significado. No mais das vezes, Sri Ganesha é representado com quatro mãos. Um devoto deverá meditar na forma do Senhor e procurar entender o significado. A orientação do Guru ou mestre espiritual é de fundamental importância para se poder compreender o que tudo significa (mas pode ser que uma vida inteira não seja suficiente para isso…).

Vejamos os símbolos mais freqüentes em Sri Ganesha:

- a cabeça de elefante: indica fidelidade, inteligência e poder de discernimento;

- uma presa: este fato de ter uma presa inteira e outra quebrada tem o significado de que Ganesha possui a habilidade de sobrepor todas as formas de dualismo;

- largas orelhas: denota sabedoria; habilidade para escutar as pessoas que pedem ajuda, e refletem as Verdades espirituais. Elas, também, significam a importância fundamental de escutar tendo em vista aprender e assimilar as idéias. As largas orelhas indicam que quando Deus é conhecido, tudo é conhecido;

- tromba curvada: indica as potencialidades intelectuais, as quais se manifestam em si mesmas na faculdade (Viveka) de discernimento entre o que é real, temporário e passageiro, daquilo que é terno, sempre existente (Atma);

- Trishula na testa: a lança com três pontas (arma do Senhor Siva, similar a um tridente), sinaliza simbolicamente o tempo: passado, presente e futuro, e Ganesha tem total domínio sobre ele.

- barriga de Ganesha: ela contém os universos infinitos. Ela significa a generosidade da natureza e equanimidade; a habilidade de Ganesha absorver os sofrimentos do universo e proteger o mundo;

- posição de Suas pernas (uma descansando e outra sendo apoiada), indica a importância de viver e participar do mundo material, bem como do mundo espiritual; a habilidade de viver no mundo sem mundanizar-se;

- quatro braços: eles representam os quatro atributos internos do corpo sutil que são: Manas (mente), Buddhi (intelecto), Ahamkara (ego), e a consciência condicionada (Chitta). O Senhor Ganesha representa a consciência pura – Atma – a qual habilita as quatro funções dos atributos em nós;

- mão segurando machado: tem a simbologia de reduzir todos os desejos, dores e sofrimentos. Com este machado, Ganesha tanto pode golpear como repelir os obstáculos. O machado, também, simboliza o aguilhão que conduz o homem para o caminho da retidão e da Verdade;

- segunda mão segurando um laço: tem o símbolo da força, que amarra a pessoa devota à eterna beatitude de Deus. O laço conduz a idéia de que devemos nos libertar dos apegos e desejos mundanos;

- a terceira mão abençoa os devotos: esta é a posição da benção, refúgio e proteção divina ou Abhaya;

- a quarta mão sustenta uma flor de lótus: o Padma simboliza a elevada meta da evolução humana; a doçura de realizar o Ser interior.

O Senhor cuja forma é o OM, carregado por Mushika
Ganesha é representado, também, e descrito como Omkara ou OM. O formato de Seu corpo é uma copia que delineia a sílaba OM em Devanagari (a escrita do sânscrito). O OM é conhecido como Mantra Bija ou Mantra Semente. Por esta razão, Sri Ganesha é considerado a corporificação ou encarnação do cosmos inteiro; como sendo a base de todos os fenômenos do mundo (Vishvadhara; Jagadoddhara). Além do mais, na linguagem Tamil, a sagrada silaba é indicada precisamente por suas características que delineiam a cabeça de Ganesha.

De acordo com as interpretações, o veículo que transporta Sri Ganesha, o ratinho ou Mushikam, representa a sabedoria, bem como o talento e a inteligência. Ele simboliza a pequena investigação de um objeto critico. Assim, ela é também um símbolo da ignorância que domina a escuridão e teme a luz do conhecimento.

Tanto Sri Ganesha com Mushika adoram Modaka, um doce o qual é tradicionalmente oferecido para ambos em cerimônias de adoração. Mushika é usualmente representado bem menor do que Ganesha, contrastando com os veículos de outras formas ou Deidades. No entanto, Mushika é representado como um rato enorme na arte Maharashtrian (de Mahatashtra), que desenham Mukash como um grande rato.

Também, uma outra interpretação diz que o ratinho Mushika ou Aku, representa o ego, a mente com todos os nossos desejos, e o orgulho individual. Ganesha cavalga o ratinho, tornando-se mestre e não escravo daquelas tendências; indicando, também, o poder do intelecto e das faculdades de discernimento como superiores à mente. Ademais, o rato – que é extremamente voraz na natureza – é muitas vezes representado próximo a um prato de doces, com seus olhos para Ganesha, enquanto segura um bocado de comida entre suas patas, como que aguardando uma ordem de Ganesha. Isso tudo representa a mente, a qual foi completamente subordinada à faculdade do intelecto; a mente sobre estrita supervisão, a qual se fixa em Ganesha, e não pega comida a não ser com a permissão de Ganesha.

Por fim, tudo isso representa a modéstia a humildade que devemos ter. Ganesha, apesar de sua gigantesca forma, grande talento e conduta, torna-Se tão leve que pode ser carregado por alguém tão pequeno, como um ratinho insignificante.

Casado ou celibatário?
É interessante observar como, de acordo com a tradição, Sri Ganesha foi gerado por Sua mãe, Parvati, sem a intervenção do Seu marido, Sri Shiva. Shiva, de fato, sendo eterno – Sadashiva – não possui nenhum desejo de ter filhos. Consequentemente, o relacionamento de Ganesha e Sua mãe é único e especial.
Devido a isso Sri Ganesha é representado, tradicionalmente no Sul da Índia, como sendo celibatário. É dito que Ganesha, tendo a Sua mãe como a mais bela e perfeita mulher no universo, exclamou: “traga-me uma mulher tão maravilhosa como És que casarei com ela”. No norte na Índia, por outro lado, Sri Ganesha é com freqüência representado como sendo casado com duas filhas do Senhor Brahma: Riddhi (intelecto), e Siddhi (poderes espirituais). Popularmente, no norte da Índia Ganesha está acompanhado por Saraswati, a deusa da sabedoria e da arte, e por Laksmi, a deusa da fortuna e da sorte, simbolizando que todas estas qualidades sempre acompanham quem descobre a suas qualidades divinas internas. Simbolicamente, isso representa o fato de que a riqueza, prosperidade, e sucesso, acompanham aqueles que possui as qualidades de sabedoria, prudência, paciência, etc., as quais Sri Ganesha representa.

Kalabou
Há uma outra mitologia, especificamente na Bengala, a qual fala que Sri Ganesha casou-Se com Kalabou. Kalabou nada mais é que a bananeira, representada tradicionalmente no Sari branco, com bordas vermelhas. A história conta que Sri Ganesha necessitava casar, certo dia quando chegou em casa, Ele viu Sua mãe Durga Devi comendo com Suas próprias dez mãos. Ficando chocado, Ele perguntou por que Ela fazia aquilo? Durga respondeu que depois de Ganesha casar Sua esposa não daria para Ela nenhum alimento, então estava comendo daquela forma, com Suas dez mãos. Sentindo-se triste, Ganesha decidiu que deveria casar-se com a bananeira ou Kalabou, então Sua mãe jamais teria algum aborrecimento com comido, uma vez que a bananeira não pode deixar de produzir frutos.

A tradição consagra que nos dias de festival de Durga no Saptami (primeiro dia de adoração a Durga), nas primeiras horas do dia, Kalabou é levada para banhar-se no rio Gange. Após a cerimônia do banho, ela é adornada com um Sari branco com bordas vermelhas, e pó vermelho é jogado sobre suas folhas. Então ela é colocada sobre um pedestal, decorada e adorada com flores, pasta de sândalo, e varinhas de incenso. Após isso, ela é colocada no lado direito de Ganesha. É por essa razão que Kalabou é popularmente conhecida como a esposa de Ganesha.

Etimologia e derivações de Ganesha
No norte da Índia, Ganesha é tradicionalmente conhecido como Gana (república). Este nome influenciou o país africano com o mesmo nome. A palabra Ganesh é formada pelos nomes Gana + isha, portanto, Ganesha é uma Sandhi ou junção de palavras. Um dos sentidos de Gana é som, como já vimos, mas Gana também significa república, então o sentido seria “Senhor da República”. Ganesha é, também, conhecido como Ganapati; o sufixo “pati” indica Senhor ou protetor da Republica. De acordo com os Jats, Ele guia o bem-estar da republica. Nada acontece na república sem a Sua permissão. Uma cerimônia de casamento deverá ser realizada com Suas bênçãos, e entrar na área de uma república deverá ser feita sob sua permissão.

Como Ganesha ganhou a cabeça de elefante?
Há muitas histórias da mitologia dos Hindus que contam como Ganesha obteve a cabeça de elefante; isso deu origem a muitas historietas de como isso aconteceu. E muitas destas historias revelam as origens da enorme popularidade do culto a Ganesha.

- decapitado e reanimado por Siva
A mais conhecida das histórias de Ganesha é, provavelmente, a que está no Shiva Purana. Certa feita, quando Sua mãe Parvati, nenhum dos seus servos estava disponível para cuidar da Sua casa. Então Ela criou uma imagem de um lindo menino, feita com pasta de pó de Tumerique (este pó Ela havia preparado para clarear Seu corpo, pois tem propriedade antiseticas e refrescantes); desta forma, Ela deu vida a imagem, surgindo Ganesha. Parvati ordenou que Ganesha ficasse na porta, e não permitisse ninguém entrar na casa. Obedientemente Ganesha seguiu a ordem de Sua mãe. Quando o Senhor Shiva voltava para Sua casa, Ele tentou entrar, sendo impedido por Ganesha. Shiva ficou enfurecido com a atitude do garoto, que se atreveu a impedi-lO. Ele disse para Ganesha que era o marido de Parvati, e pediu que Ganesha O deixasse entrar. Mas Ganesha havia escutado de Sua mãe que não deixasse entrar ninguém. Shiva perdeu a Sua paciência e lutou com Ganesha, sendo que a Sua cabeça foi cortada pelo Trishula de Shiva. Quando Parvati veio para fora, e viu Seu filho sem vida, Ela ficou muito furiosa e triste. Ela ordenou que Shiva restaurasse a vida do menino novamente.

Desafortunadamente, o poder do Trishula de Shiva arremessou a cabeça para muito longe. Todas as tentativas para encontrar a cabeça foram em vão. Num último recurso, Shiva foi até o Senhor Brahma que sugeriu para Siva para que colocasse no menino a primeira cabeça que encontrasse no Seu caminho a qual estivesse olhando o norte ao dormir. Shiva, então, enviou Seus soldados celestais Gana para encontrar e pegar a cabeça de qualquer criatura que eles tivessem a felicidade de achar e que estivesse com a dormindo com a cabeça para o norte. Eles encontraram um elefante dormindo daquele modo, depois de terem cortado a cabeça do elefante, foi então colocada no corpo de Ganesha, trazendo-O novamente a vida. Daí por diante ele foi chamado de Ganapati, ou o chefe dos soldados celestes, e desde então é adorado por qualquer que seja antes de iniciar quaisquer atividades.

- Shiva e Gajasura
Uma outra história da forma de Ganesha é sobre o fato da existência de um demônio ou Ashura, o qual tinha todas as características de um elefante, sendo chamado de Gajasura. Ele havia feito severas penitências ou Tapasias, austeridades, tendo em vista alcançar qualquer coisa que desejasse. Então o demônio desejou que saísse fogo do seu corpo sempre que quisesse, de modo que ninguém se aproximasse dele. Shiva era a deidade adorada, de modo que deu tal benção para o demônio. Gajasura continou a sua penitencia até que Shiva apareceu diante dele, sempre perguntando o que ele desejava. O demônio respondeu, “Eu desejo que você more no meu estômago”. Então o Senhor Shiva concedeu este desejo ao demônio e passou a residir no interior no estomago dele. O Senhor Shiva é conhecido como Bhola Shankara, uma vez que Ele á uma Deidade facilmente agradada; quando Ele está satisfeito com Seu devoto, Ele atende aos seus desejos, e deste modo, de tempos em tempos, cria determinadas situações intrincadas. Foi por esta razão que Parvati, Sua esposa, procurava por Ele sem conseguir encontrá-lO. Como último recurso, Ela foi até Seu irmão Vishnu, pedindo para que Ele encontrasse Seu marido. Vishnu, que a tudo conhece, garantiu para Ela: “Não se aborreça, querida irmã, Seu marido é Bhola Shankara, e prontamente atende aos Seus devotos; em qualquer que seja o que Lhe peçam, sem medir as conseqüências. Por esta razão, penso que Ele esteja em alguma dificuldade. Eu irei ver o que está acontecendo”.

Então Vishnu, o regente onisciente do jogo cósmico, articulou uma pequena representação. Ele transformou Nandi, o búfalo de Shiva, num búfalo dançante, e levou-o até diante de Gajasura, assumindo, ao mesmo tempo, a aparência de um flautista (como Sri Krishna). O encantamento realizado pelo búfalo deixou o demônio em êxtase, e então ele pediu para que o flautista pedisse o que quisesse para ele. Vishnu respondeu, “Você pode me dar o que eu pedir?” Gajasura respondeu, “o que você deseja? Eu posso lhe dar imediatamente o que você pedir”. O flautista disse, então: “Eu desejo que libere o Senhor Shiva do seu estômago”. Gajasura então se deu conta que o flautista era Vishnu em pessoa, e apenas quem fosse onisciente poderia saber e pedir tal coisa. Tendo liberado o Senhor Shiva, Gajasura fez um último pedido: “Eu tenho sido abençoado pelo Senhor de muitas maneiras; meu último pedido é que todos me adorem depois de minha morte”. Então o Senhor Shiva trouxe Seu próprio filho e substituiu a Sua cabeça com a de Gajasura. Desde então na Índia, é que toda a ação, tendo em vista a prosperidade, deve iniciar com a adoração a Ganesha.

A contemplação de Shani
Uma menos conhecida história de Ganesha vem do Brahma Vaivarta Purana, que narra uma versão diferente do surgimento de Sri Ganesha. Por insistência de Shiva, Parvati jejuou por um ano (Punyaka CVrata), para agradar a Vishnu, para que tivesse um filho. O Senhor Vishnu, após Parvati ter terminado o sacrifício, anunciou que iria encarnar pessoalmente como Seu filho em cada Kalpa (era). Consequentemente, Sri Krishna nasceu como filho de Parvati, como Seu encantador filho. Este acontecimento foi celebrado com grande júbilo, e todos os semideuses foram convidados a verem a criança recém nascida. Então, Shani, Saturno, o filho de Surya (o Sol), hesitou olhar o menino, uma vez que Shani havia sito amaldiçoado com a visão da destruição. Porém Parvati insistiu que ele visse o bebê, o qual fez Shani, e imediatamente a cabeça da criança saiu fora, e subiu até Goloka. Vendo Shiva e Parvati tristes por este fato, o Senhor Vishnu montou Seu pássaro veículo, Garuda, e correu até as margens do rio Pushpa-Bhadra, e trouxe com Ele uma cabeça de um jovem elefante. A cabeça então foi ligada ao corpo do filho de Siva e Parvati, e deste modo reviveu-O. A criança foi chamada de Ganesha, e todos os semideuses o abençoaram, desejando para Ele poder e prosperidade.

Shiva e Aditya
Um outro conto da Índia que diz respeito a Sri Ganesha relata um incidente no qual o Senhor Shiva matou Aditya, o filho de um sábio. Shiva trouxe de volta a vida do menino, mas isso não pacificou o horror do sábio Kashyapa, quem era um dos sete grandes sábios ou Rishis. Kashyapa amaldiçoou Shiva dizendo que Shiva deveria perder a Sua cabeça. Quando isso aconteceu, a cabeça do elefante de Indra foi colocada no lugar dela.

Também há um outro conto em que numa ocasião, onde Parvati costumava banhar-se dentro do Ganges, e o chefe dos elefantes – deusa Malini – estava bebendo água, dando a luz um bebê com quatro braços, e com cinco cabeças de elefante. A semideusa do rio, Ganga, reivindicou Ele como Seu filho, mas Shiva disse ser filho d´Ele e Parvati, reduzindo as cinco cabeças para uma, e colocando Ele como o controlador dos obstáculos – Vigneshwara.

Como a presa de Ganesha quebrou-se?
(No Mahabharata)
Há muitas histórias sobre este fato, ou seja, o modo como Sri Ganesha quebrou uma de Suas presas. Na primeira parte do Mahabharata, épico onde está a celebre obra o Bhagavad-Gita, é dito que Vyasa pediu para que Ganesha trascrevesse o poema quando ele ditasse. Ganesha concordou, mas apenas com uma condição, a de que Vyasa O recitasse sem nenhuma interrupção; sem qualquer pausa. O sábio, por sua vez, disse que Ganesha deveria, então, anotar somente quando tivesse entendido claramente o que fora dito, antes de anotar. Desta forma, Sri Vyasa pode recuperar-se um pouco antes de continuar a falar os versos do Mahabharata, os quais Ganesha somente anotou quando entendeu. O ditado começou, mas a pena que Ganesha usava quebrou-se, então, Ele quebrou a Sua própria presa, e a usou como uma pena para escrever o texto ditado por Vyasa, e assim pode continuar sem interrupção, permitindo que mantivesse a Sua palavra.

Ganesha e Parashurama
Certo dia, Parashurama, um Avatar do Senhor Vishnu, foi prestar uma visita ao Senhor Shiva, mas ao longo do caminho Ele foi bloqueado por Ganesha. Parashurama então lutou com Ganesha com Seu machado (ganho do Senhor Shiva), na contenda deixou-Se golpear pelo próprio machado e perdeu a Sua presa.

Ganesha e a lua
Um dia Ganesha, após ter recebido de muitos dos Seus devotos grande quantidade de doces (Modaka), tendo em vista melhorar a digestão da grande quantidade que ingeriu, decidiu dar um passeio. Ele subiu no Seu ratinho veículo e então saiu. A noite estava magnífica, e a lua resplandecente. Silenciosamente uma serpente apareceu e assustou o ratinho pensando que iria morrer, então fazendo com que desse um pulo, e Ganesha foi jogado no chão. O enorme ventre de Ganesha abriu-se quando ele bateu no chão, e todos os doces que havia comido se esparramaram ao redor d´Ele. não obstante, devido a Sua inteligência não permitir que ficasse irado, sem perder tempo com lamentações, ele tentou remediar a situação do melhor modo possível. Ele pegou a serpente que causara o acidente e a usou como um cinto, tendo em vista manter Sua barriga fechada, vedando assim o dano. Satisfeito por esta solução, Ele remontou o ratinho, e continuou a Sua escursão. Chandradeva, o semideus da Lua, viu aquela cena e riu-se. Ganesha, tendo o temperamento irratiço, amaldiçoou a Lua, dividindo a sua face em duas, quebrando uma de Suas presas e atirando-a contra a Lua, dizendo que qualquer um que visse a face da Lua naquele dia cairia em má sorte.

Fonte: Swami Krishnapriyananda Saraswati

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Veja também:

- Sri Ganesha Upanishad ou Ganapati Upanishad:
Tradução de Swami Krishnapriyananda ou por Alexandre Vieira
ou em Inglês

- Ganapati Atharvashirsha Upanishad

- Se entender Inglês, veja Ganesha de Sivananda

- Veja todos os artigos sobre Ganesha

O Deus Ganesha (“Senhor dos exércitos”), de cabeça de elefante, é intimamente ligado a Shiva. Ganesha é chamado também por muitos outros nomes, entre os quais Ganapati (que tem o mesmo sentido) e Vinâyaka (“Comandante”).
Em 1995, Ganesha chegou às manchetes do New York Times e de vários outros grandes jornais do mundo inteiro em virtude do fenômeno que foi chamado de “milagre do leite” (kshîra-camatkâra).
No dia 21 de setembro daquele ano, um hindu comum de Nova Delhi sonhou que Ganesha estava com vontade de tomar leite. Ao levantar-se de manhã, foi incontinenti para o templo mais próximo e, com a permissão do sacerdote, ofereceu à imagem do deus uma colherada de leite. Para surpresa sua e do sacerdote, o leite desapareceu. Em poucas horas, a notícia havia chegado a todo o país, e dezenas de milhões de hindus devotos dirigiram-se aos templos. Ao que parece, um número incontável de outras pessoas – inclusive alguns céticos estupefatos – testemunharam de novo o milagre em vários locais sagrados e em outros menos sagrados (como os “santinhos” de Ganesha colados no painel dos automóveis, por exemplo). Em vinte e quatro horas, o milagre acabou tão repentinamente quanto havia começado.

Fonte: A Tradição do Yoga, de Georg Feuerstein.

Veja um video de um site em inglês que fala desse fenômeno: milk miracle

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