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Falhando em captar o espírito dos buddhas,
De que adianta seguir a letra do Dharma?
Sem ter um aprendizado com um mestre competente,
De que adianta ter grande talento e inteligência?
Incapaz de amar todos os seres como seus filhos,
De que adiantam as solenes preces e rituais?
Ignorante do objetivo único dos três votos,
O que é obtido então ao se quebrar cada um deles?
Falhando em realizar que o Buddha está no interior,
Que realidade pode ser encontrada no exterior?
Incapaz de ter um fluxo natural de meditação,
O que pode ser obtido através do pensamento violador?
Incapaz de regular a vida de acordo com as sessões e horas do dia,
Quem é você, a não ser um tolo confuso e indiscriminado?
Se uma perspectiva iluminada não for compreendida intuitivamente,
O que pode ser obtido por uma busca sistemática?
Vivendo sobre o tempo e energia emprestados, desperdiçando sua vida,
Quem pagará seus débitos no futuro?
Vestindo roupas grosseiras e escassas, em grande desconforto,
O que o asceta pode obter pelo sofrimento dos infernos gelados nesta vida?
O aspirante que se esforça sem uma instrução específica,
Como uma formiga escalando uma colina de areia, não realiza qualquer coisa.
Juntar instruções mas ignorar a meditação sobre a natureza da mente
É como morrer de fome quando a despensa está cheia.
O sábio que se recusa a ensinar ou escrever
É tão inútil quanto a jóia na cabeça do rei naga.
O tolo que nada sabe mas que conversa de maneira infantil, constantemente,
Apenas proclama sua ignorância para todos.
Compreendendo a essência do Dharma, pratique-o!
Prostro-me aos pés de Marpa, o tradutor!
No eremitério da montanha, que é o meu corpo,
No templo do meu peito,
No topo do triângulo do meu coração,
O cavalo, que é a minha mente, voa como o vento.
Se eu tentar capturá-lo, com que laço irei pegá-lo?
Se eu tentar amarrá-lo, em que estaca irei amarrá-lo?
Se ele estiver com fome, qual alimento darei a ele?
Se ele estiver com sede, o que misturarei com sua água?
Se ele estiver com frio, entre quais paredes irei abrigá-lo?
Se eu capturá-lo, será com o laço do incondicionado.
Se eu amarrá-lo, será na estaca da meditação profunda.
Se ele estiver com fome, vou alimentá-lo com os preceitos do mestre.
Se ele estiver com sede, vou dar a água do fluxo perpétuo da atenção.
Se ele estiver com frio, vou abrigá-lo entre as paredes da vacuidade.
Como sela e freio, usarei os meios hábeis e a sabedoria.
Vou equipá-lo com a forte cilha da imortalidade.
Vou segurar as rédeas da energia que sustenta a vida.
O filho da consciência irá cavalgá-lo.
Como elmo, ele usará a atitude iluminada do Mahayana.
Sua capa será feita com o ouvir, o questionar e o meditar.
Em suas costas, ele usará o escudo da paciência.
Ele segurará a lança da visão perfeita.
Ao seu lado será amarrada a espada do conhecimento.
Se a flecha de sua consciência-armazém se curvar,
Ele a endireitará sem ódio.
Ele colocará as penas das quatro atitudes ilimitadas.
Ele colocará a ponta afiada da sabedoria.
No arco da vacuidade dos fenômenos,
Ele ajustará a profunda curvatura dos compassivos meios hábeis.
Medindo a infinidade da não-dualidade,
Ele vai atirar suas flechas pelo mundo.
Aqueles que ele vai atacar são os fiéis.
Aquele que ele vai matar é o seu apego ao eu.
E assim, como inimigo, ele vai subjugar o desejo e a delusão.
Como amigo, ele protegerá os seres sencientes dos seis reinos.
Se ele galopar, será nas planícies da grande felicidade.
Se ele persistir, atingirá o nível do Buddha vitorioso.
Indo para trás, ele corta a raiz do samsara.
Indo para frente, ele alcança a elevada terra do estado búddhico.
Montando tal cavalo, ele atinge a mais elevada iluminação.
Você pode comparar sua felicidade com isto?
Eu não desejo a felicidade mundana.
Milarepa
Jetsün Mila – O Poeta do Tibet
Se pegarmos uma pedra que ficou no leito de um rio por centenas de anos e rachá-la, descobriremos que embora a superfície esteja úmida, ela está totalmente seca no meio. Esse é o exemplo da pessoa que estudou, refletiu e meditou sobre o valioso Dharma sem assimilá-lo em seu ser, sendo assim incapaz de vencer suas emoções perturbadoras.
Se somos incapazes de vencer essas emoções, somos como a pedra úmida no exterior mas seca por dentro. O pensamento precioso para se ter em mente é a motivação de praticar o Dharma como um remédio contra nossas próprias emoções perturbadoras. Devemos cultivar essa motivação bem neste instante, não daqui um mês ou um ano.
O que quer que façamos, seja andando ou sentados quietos, devemos nos observar. Devemos ser nossos próprios professores. Se praticarmos o Dharma assim, mesmo se tivermos estudado apenas quatro linhas de ensinamento, ainda haverá grande benefício.
Se falharmos em assimilar verdadeiramente o Dharma em nosso ser, isso serão apenas palavras vazias, embora possamos ser bem habilidosos em falar sobre ou escrever em um estilo eloquente. Já que o Dharma não penetrou de verdade em nossos corações e não temos sido capazes de domar nossas mentes, toda nossa prática do Dharma se torna sem sentido.
A Mente de Sabedoria de Buda é pura e misteriosa. Ela nos protege e, de maneira absoluta, é secreta e impossível de pegar; assim, não pode ser penetrada por mistérios temporários e mundanos.
A Mente de Sabedoria de Buda é desobstruída e sempre beneficia a todos sem intenção por meio da energia de sabedoria pura e misteriosa que permeia a todos os elementos e é sempre livre.
A Mente de Sabedoria de Buda tem um poder misterioso de sabedoria que nunca termina, nunca é bloqueado em lugar algum e jamais é afetado pelos fenômenos explicáveis do samsara.
Se pudermos reconhecer nossa própria essência secreta e misteriosa de sabedoria, que desde o início é a mesma essência secreta e misteriosa de sabedoria de Buda, então a iluminação não é mais misteriosa para nós; porque, inseparáveis de Buda, nós somos o mistério.
O terremoto não pode danificar o misterioso céu, não importa o quanto seu poderoso balançar revire e destrua.
O oceano não pode danificar o misterioso céu, não importa o quanto suas turbulentas ondas inundem e destruam.
O fogo não pode danificar o misterioso céu, não importa o quanto suas raivosas chamas queimem e destruam.
O furacão não pode danificar o misterioso céu, não importa o quanto seus agressivos ventos soprem e destruam.
Mantenha sua percepção pura, considerando tudo que aparece como tendo pureza infinita. Então tudo irá lhe inspirar a praticar o Dharma, e tudo será uma ilustração dos ensinamentos. Como Milarepa disse:
-
O mundo ao redor é o melhor de todos os livros;
Não preciso ler um livro em preto e branco
Escute-me, homem afortunado!
Por acaso esta vida não é incerta e ilusória?
Por acaso seus prazeres e alegrias não são como miragens?
Por acaso há alguma paz neste samsara?
Por acaso a sua falsa felicidade não é irreal como um sonho?
Por acaso o elogio e a reprovação não são tão vazios quanto um eco?
Por acaso a mente e o Buddha não são idênticos?
E o Buddha, não é o mesmo que o dharmakaya?
E o dharmakaya, não é idêntico à verdade?
Os iluminados sabem que todas as coisas são da mente;
Portanto, deve-se observar a mente, dia e noite.
Se observá-la, ainda sim nada verá.
Então, fixe sua mente nesse estado, que transcende toda visão.
Não há qualquer entidade própria na mente de Milarepa.
Eu, eu mesmo, sou o Mahamudra,
Porque não há diferença alguma entre a meditação estática e a ativa;
Não tenho necessidade de estados diferentes no caminho.
De qualquer modo que se manifestem, sua essência é a vacuidade.
Não há atenção nem desatenção em minha contemplação.
Experiencie a realização da vacuidade;
Comparado com outros ensinamentos, este é o melhor.
A prática yógica dos canais, ventos e gotas,
Os ensinamentos do karma-mudra e do mantra-yoga,
As práticas de visualização do Buddha e das quatro posições puras
São apenas os primeiros passos do Mahayana.
Praticá-los não erradica o desejo nem o ódio.
Guarde isto que canto firmemente em sua mente;
Todas as coisas são da própria mente, que é vazia.
Quem nunca se separa da experiência e da realização da vacuidade
Realiza, sem esforço, toda a prática de veneração e disciplina.
É nisto que se baseia todo mérito e todo prodígio.
Milarepa
Jetsün Mila – O Poeta do Tibet
Buda ensinou no Sutra do Louvor:
- O fim da acumulação é a dispersão.
- O fim da construção é o colapso.
- O fim do encontro é a partida.
- O fim da vida é a morte.
-
O Lankavatara Sutra diz: “Não há aparências externas existindo de maneira sólida, tudo é a exibição da sua mente”.
Em outras palavras, seu próprio corpo, todos os objetos que aparecem no ambiente ao seu redor, tudo que acontece e o próprio espaço – tudo é a mente.
O Sutra Guirlanda de Flores diz: “A mente é um artista. Essa mente-artista produz agregados e universos. Tudo são desenhos da mente”.
Novamente, o Hevajra Tantra: “Sem a preciosa mente, não há nem seres nem budas”.
Como Buda Shakyamuni ensinou, quando você compreende a verdadeira natureza da mente, ou rigpa, você compreende a verdadeira natureza de tudo, e aí você está além da vida e da morte.
Não seja muito receoso quanto ao caminho espiritual, temendo iniciar a jornada. No lugar disso, seja cuidadoso com a raiva, cobiça e ignorância. Nosso estado mental é como uma doença. Agora é a hora de nos medicarmos, não quando estivermos no leito de morte. Read the rest of this entry »

Alguém destinado a manter os Caminhos,
Após o Nirvana do Sugata,
Aparecerá depois de transcorrido algum tempo.
Sabei que ele será dotado de grande sabedoria.
Na região sulina, na Terra das Palmeiras,
Há de surgir o monge Shriman, de grande renome.
Ele será cognominado O Naga, e destruirá
Os extremos da existência e da não-existência.
Após pregar ao mundo meu veículo
Sob a forma do insuperável Mahayana
E alcançar o estágio da Grande Felicidade,
Ele partirá para o paraíso Sukhavati.
(Lankavatara Sutra)
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