Meu pai tinha uma concepção clara, simples e perfeitamente definida
da meta da vida humana. Dizia-me com freqüência, em minha mocidade, que a aspiração fundamental de todo homem deveria ser conquistar sua liberdade interior e preparar-se, assim, para uma velhice feliz.
Segundo ele, tal meta tinha caráter tão imperioso e tão indispensável, que cada um deveria compreendê-la, sem procurar sarna para se coçar. Mas, para atingi-la, era necessário que, desde a infância e até à idade de dezoito anos, o homem adquirisse dados que lhe permitissem obedecer sem desfalecimento aos quatro seguintes mandamentos:

Primeiro: Amar seus pais.
Segundo: Guardar sua pureza sexual.
Terceiro: Demonstrar igual cortesia para com todos, ricos ou pobres,
amigos ou inimigos, detentores de poder ou escravos, qualquer que
seja a religião a que pertençam; mas permanecer livre interiormente e
nunca confiar demasiado em nada nem em ninguém.
Quarto: Amar o trabalho pelo trabalho e não pelo ganho

George Gurdjieff