Quando saía da casa de um amigo tarde da noite, um homem cego recebeu deste uma lanterna. O cego disse, surpreso:
“Sou cego. De que me vale levar uma lanterna?”
“Sei disso, mas como vais caminhar no escuro, a lanterna evitará que outras pessoas esbarrem em vós,” disse o solícito amigo, acendendo a vela dentro da lanterna. O homem partiu levantando a lanterna à sua frente.
Confiante no fato de que ela evitaria acidentes com outras pessoas, ele caminhou sem medo ou relutância ao longo da estrada.
Nunca ele se sentiu tão confiante, sabendo que a lanterna era um eficiente aviso de sua presença no caminho.
Entretanto, para sua completa surpresa, de repente alguém esbarra fortemente nele, que cai ao chão. Irritado com isso, o cego grita:
“Não podeis ver uma lanterna aproximando-se?! Com certeza és mais cego do que eu!!!!”
Mas o outro homem disse confuso:
“Mas como poderia ter visto uma lanterna apagada nesta noite escura?”
Todo aquele tempo o cego carregava a lanterna inutilmente, pois a vento tinha apagado a vela há muito tempo.
Deus é acessível. Falando com Ele e ouvindo Suas palavras nas escrituras, pensando nEle, sentindo Sua presença na meditação, verás que gradualmente o irreal se torna real e o mundo, que te parece real, será percebido como irreal. Não há alegria igual a esta percepção.
Paramahansa Yogananda em “A Eterna Busca do Homem”
Para compreender como a oração funciona, considere o sol, que brilha em todo lugar, sem hesitação nem impedimento. Como Deus ou Buda, ele continuamente irradia toda a sua força, calor e luz, sem distinção.
Quando a terra gira, temos a impressão de que o sol não está mais brilhando. Mas isso nada tem a ver com o sol; é resultado da nossa própria posição no lado sombreado da terra. Se moramos no fundo do poço escuro de uma mina, não é culpa do sol se sentimos frio. Ou, se vivemos na superfície da Terra, mas mantemos os olhos fechados, não é culpa do sol se não enxergamos a luz.
As bençãos do sol estão presentes em toda parte, quer estejamos abertos a elas, quer não. Por meio da oração, saímos do poço da mina, abrimos os olhos, tornamo-nos receptivos à presença iluminada — o amor e compaixão onipresentes que existem para todos os seres.
Chagdud Tulku Rinpoche. Fonte: Samsara
ALLAHUR Akbar! Allahur Akbar!
(Deus é grande! Deus é grande!)
Quando Deus criou a mulher criou também a Fantasia. Um dia a Verdade resolveu visitar um grande palácio. E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harun Al-Raschid.
Envoltas as lindas formas num véu claro e transparente, foi ela bater à porta do rico palácio em que vivia o glorioso senhor das terras muçulmanas. Ao ver aquela formosa mulher, quase nua, o chefe dos guardas perguntou-lhe:
— Quem és?
— Sou a Verdade! — respondeu ela, com voz firme. — Quero falar ao vosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid, o Cheique do Islã!
O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, apressou-se em levar a nova ao grão-vizir:
— Senhor, — disse, inclinando-se humilde, — uma mulher desconhecida, quase nua, quer falar ao nosso soberano, o sultão Harun Al-Raschid, Príncipe dos Crentes.
— Como se chama?
— Chama-se a Verdade!
— A Verdade — exclamou o grão-vizir, subitamente assaltado de grande espanto. — A Verdade quer penetrar neste palácio! Não! Nunca! Que seria de mim, que seria de todos nós, se a Verdade aqui entrasse? A perdição, a desgraça nossa! Dize-lhe que uma mulher nua, despudorada, não entra aqui!
Voltou o chefe dos guardas com o recado do grão-vizir e disse à Verdade:
— Não podes entrar, minha filha. A tua nudez iria ofender o nosso Califa. Com esses ares impudicos não poderás ir à presença do Príncipe dos Crentes, o nosso glorioso sultão Harun Al-Raschid. Volta, pois, pelos caminhos de Allah!
Vendo que não conseguiria realizar o seu intento, ficou muito triste a Verdade, e afastou-se lentamente do grande palácio do magnânimo sultão Harun Al-Raschid, cujas portas se lhe fecharam à diáfana formosura!
Mas…
Allahur Akbar! Allahur Akbar!
Quando Deus criou a mulher, criou também a Obstinação. E a Verdade continuou a alimentar o propósito de visitar um grande palácio. E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harun Al-Raschid…
Cobriu as peregrinas formas de um couro grosseiro como os que usam os pastores e foi novamente bater à porta do suntuoso palácio em que vivia o glorioso senhor das terras muçulmanas.
Ao ver aquela formosa mulher grosseiramente vestida com peles, o chefe dos guardas perguntou-lhe:
— Quem és?
— Sou a Acusação! — respondeu ela, em tom severo. — Quero falar ao vosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid. Comendador dos Crentes.
O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, correu a entender-se com o grão-vizir.
— Senhor — disse, inclinando-se humilde, — uma mulher desconhecida, o corpo envolto em grosseiras peles, deseja falar ao nosso soberano, o sultão Harun Al-Raschid.
— Como se chama?
— A Acusação!
— A Acusação? — repetiu o grão-vizir. aterrorizado. — A Acusação quer entrar neste palácio? Não! Nunca! Que seria de mim, que seria de todos nós, se a Acusação aqui entrasse! A perdição, a desgraça nossa! Dize-lhe que não, não pode entrar! Dize-lhe que uma mulher, sob as vestes grosseiras de um zagal, não pode falar ao Califa, nosso amo e senhor!
Voltou o chefe dos guardas com a proibição do grão-vizir e disse à Verdade.
— Não podes entrar, minha filha. Com essas vestes grosseiras, próprias de um beduíno rude e pobre, não poderás falar ao nosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid. Volta, pois, em paz, pelos caminhos de Allah!
Vendo que não conseguiria realizar o seu intento, ficou ainda mais triste a Verdade e afastou-se vagarosamente do grande palácio do poderoso Harun Al-Raschid, cuja cúpula cintilava aos últimos clarões do sol poente.
Mas…
Allahur Akbar! Allahur Akbar!
Quando Deus criou a mulher, criou também o Capricho.
E a Verdade entrou-se do vivo desejo de visitar um grande palácio. E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harun Al-Raschid.
Vestiu-se com riquíssimos trajos, cobriu-se com jóias e adornos, envolveu o rosto em um manto diáfano de seda e foi bater à porta do palácio em que vivia o glorioso senhor dos Árabes.
Ao ver aquela encantadora mulher, linda como a quarta lua do mês de Ramadã, o chefe dos guardas perguntou-lhe:
— Quem és?
— Sou a Fábula — respondeu ela, em tom meigo e mavioso. — Quero falar ao vosso amo e senhor, o generoso sultão Harun Al-Raschid, Emir dos Árabes!
O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, correu, radiante, a falar com o grão-vizir:
— Senhor, — disse, inclinando-se, humilde — uma linda e encantadora mulher, vestida como uma princesa, solicita audiência de nosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid, Emir dos Crentes.
— Como se chama?
— Chama-se a Fábula!
— A Fábula! — exclamou o grão-vizir, cheio de alegria. — A Fábula quer entrar neste palácio! Allah seja louvado! Que entre! Bem-vinda seja a encantadora Fábula:
Cem formosas escravas irão recebê-la com flores e perfumes. Quero que a Fábula tenha, neste palácio, o acolhimento digno de uma verdadeira rainha!
E abertas de par em par as portas do grande palácio de Bagdá, a formosa peregrina entrou.
E foi assim, sob o aspecto de Fábula, que a Verdade conseguiu aparecer ao poderoso califa de Bagdá, o sultão Harun Al-Raschid, Vigário de Allah e senhor do grande império muçulmano!
Lenda oriental contada por Malba Tahan em “Minha Vida Querida”
Doenças físicas ou mentais renitentes têm sempre uma raiz profunda no subconsciente. A doença poderá ser curada arrancando-se essas raízes escondidas. É por isso que todas as afirmações da mente consciente devem ser suficientemente impressivas para permear o subconsciente, o qual, de volta, automaticamente influencia a mente consciente.
Fortes afirmações conscientes então reagem sobre a mente e o corpo através da mediação do subconsciente. Afirmações ainda mais fortes alcançam não somente o subconsciente, mas também a mente superconsciente – o depósito mágico dos poderes miraculosos.
Yogananda em “Afirmações Científicas de Cura”
Há ou não um infinito fora de nós? É ou não único, imanente, permanente, esse infinito; necessariamente substancial pois que é infinito, e que, se lhe faltasse a matéria, limitar-se-ia àquilo; necessáriamente inteligente, pois que é infinito, e que, se lhe faltasse a inteligência, acabaria ali? Desperta ou não em nós esse infinito a ideia de essência, ao passo que nós não podemos atribuir a nós mesmos senão a ideia de existência? Por outras palavras, não é ele o Absoluto, cujo relativo somos nós?
Ao mesmo tempo que fora de nós há um infinito não há outro dentro de nós? Esses dois infinitos (que horroroso plural!) não se sobrepõem um ao outro? Não é o segundo, por assim dizer, subjacente ao primeiro? Não é o seu espelho, o seu reflexo, o seu eco, um abismo concêntrico a outro abismo? Este segundo infinito não é também inteligente? Não pensa? Não ama? Não tem vontade? Se os dois infinitos são inteligentes, cada um deles tem um princípio volante, há um eu no infinito de cima, do mesmo modo que o há no infinito de baixo. O eu de baixo é a alma; o eu de cima é Deus.
Pôr o infinito de baixo em contacto com o infinito de cima, por meio do pensamento, é o que se chama orar.
Não tiremos nada ao espírito humano; é mau suprimir. O que devemos é reformar e transformar. Certas faculdades do homem dirigem-se para o Incógnito, o pensamento, a meditação, a oração. O Incógnito é um oceano. Que é a consciência? É a bússola do Incógnito. O pensamento, a meditação, a oração são tudo grandes irradiações misteriosas. Respeitemo-las.
Para onde vão essas majestosas irradiações da alma?
Para a sombra, quer dizer, para a luz.
A grandeza da democracia consiste em não negar, nem renegar nada da humanidade. Ao pé do direito do homem, pelo menos ao lado, há o direito da alma. A lei é esmagar os fanatismos e venerar o infinito.
Não nos limitemos a prostrar-nos debaixo da árvore da Criação e a contemplar os seus imensos ramos cheios de astros.
Temos um dever: trabalhar para a alma humana, defender o mistério contra o milagre, adorar o incompreensível e rejeitar o absurdo, não admitindo em coisas inexplicáveis senão o necessário, tornando sã a crença, tirando as superstições de cima da religião, catando as lagartas de Deus.
Victor Hugo, em “Os Miseráveis”. Fonte: Citador
Discute-se muito e há-de continuar a discutir-se em torno das vantagens e inconvenientes da divulgação da Bíblia. Para mim o assunto é claro: será perniciosa, como sempre o foi, se for usada de modo dogmático e fantasista; e será útil, como sempre o foi, se for encarada de modo didático e sensível.
É minha convicção que a Bíblia se torna tanto mais bela quanto mais a entendemos, ou seja, quanto mais se percebe e simultaneamente se intui cada uma das palavras que vamos apreendendo como coisa geral e que aplicamos ao nosso caso como coisa particular teve um dia, em certa situação, em determinadas circunstâncias de tempo e de lugar, uma aplicação individual própria, específica, imediata.
Johann Wolfgang von Goethe, em “Máximas e Reflexões”. Fonte: Citador
Meu Guru* citava às vezes o primeiro (Adhi) Swami Shankara:
“A infância é dedicada aos folguedos; a mocidade, ao sexo; a maturidade, ao ganho; a velhice, à saudade, aos arrependimentos e às doenças. Ninguém se ocupa nunca de Deus!”
O comentário de meu Guru a essas palavras era: “Bem, nosso sábio estava um tanto rabugento, mas a condição humana é mesmo tal qual ele dizia. Quantas pessoas, com efeito, cultivam algo real na vida?”
Swami Kriyananda em “A Essência do Bhagavad Gita”
(*Paramahansa Yogananda)
A não ser que a mente se torne estável, não pode haver yoga. É o vento do mundanismo que sempre perturba a mente, semelhante à chama de uma vela. Quando a chama está imóvel, diz-se que uma pessoa atingiu yoga.
Com frequência ouvimos o ditado: “Siga o seu coração”. Mas, tendo praticado e examinado todas as coisas que surgiram em meu coração, vi que enquanto algumas coisas eram boas e bonitas, muitas não eram tão nobres.
O coração não é sempre guiado por amor, bondade e compaixão;
também é guiado por desejo, cobiça e raiva.
Precisamos treinar o coração, não apenas segui-lo.
Joseph Goldstein, em “A Heart Full of Peace”. Fonte: Samsara







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